
Acordar ou Chorar.
Peço aos meus 2 leitores que, se tiverem preguiça de escrever algum comentário, pelo menos digam qualquer coisa como "lido" ou algo que indique a passagem pelo blog. Caso contrário falta estímulo pra continuar colocando energia em uma coisa que não é aproveitado por ninguém.
Há poucos dias estava remoendo os neurônios pra saber o tema de uma palestra que iria dar.
O que eu poderia falar que seria do interesse das pessoas e que pudesse ser, de fato, uma ajuda prática e eficiente nos seus caminhos individuais de crescimento e evolução.
Não sou um teórico, longe disso. Minha vida toda é feita de experiências que me atraíram de uma forma ou de outra. Se uma determinada teoria faz sentido pra mim, trato de colocá-la em prática e a partir daí tiro minhas próprias conclusões. Ou seja, elas se transformam em experiências que me conferem autoridade para falar sobre, ensinar ou passar adiante. Me torno, por direito, um exemplo vivo daquilo que quero dizer.
Foi pensando assim que o tema surgiu naturalmente: "Se não acordar, vai chorar."
Explico: andei pelo caminho por muitos anos, procurando, de todas as formas que conseguia imaginar, saber quem eu sou, desenvolver o máximo do meu potencial, encontrar o prazer e evitar a dor; vivi com mestres, iluminados, sábios e professores, li o que era possível ler, me informei bebendo de fontes diversas, rodei o mundo algumas vezes, troquei de profissão e atividade tanto quanto meus talentos permitiam, me relacionei com centenas, milhares de pessoas nos mais variados tipos de interação, frequentei, como participante e líder, seminários, workshops, cursos e grupos de desenvolvimento pessoal, escrevi livros, artigos, pintei, bordei, costurei, cantei, dancei, fiz (e faço) yoga e meditação, casei até perder a conta, cometi todos os erros que pude e todos os pecados que consegui me lembrar e, pra minha surpresa, algumas vezes acertei e até fui nobre. Mas, finalmente... cansei!
Porquê? porque o sofrimento vinha logo a seguir ao primeiro momento de prazer, excitação e euforia. E porquê? porque esse prazer, travestido de felicidade, era sempre, invariavelmente, provocado por um agente externo, seja a nova namorada, o novo quadro, o novo livro, o novo país, a nova cidade; um novo que logo, logo ficava velho.
A ficha da sabedoria do Buda custou a cair: "A menos que você conheça o Eterno, nada vai satisfazê-lo." Tradução: a menos que eu despertasse pra minha verdadeira natureza, a essência de quem Eu Sou, o sentimento de separação ia estar presente.
E é nessa terrível sensação que mora o insuportável.
As informações esotéricas/teóricas, embora acendessem as fagulhas dos desejos do autêntico e inabalável conhecimento, de uma certa maneira me levavam a lugar nenhum (embora tenham sido importantes).
Eu queria a prática, ter a autoridade da minha própria experiência. Estar de posse de um conhecimento que nunca me poderia ser tirado e que me fizesse relaxar definitivamente sob sua sabedoria, era a única coisa que me importava.
Eu estava disposto a pagar qualquer preço, QUALQUER PREÇO MESMO!
E só quando cheguei a esse ponto, onde não havia mais espaço nem tempo pra adiamentos, justificativas e explicações, quando ficou claro que a partir dali tudo se resumiria a aborrecidas e medíocres variações sobre o mesmo tema, quando o pesadelo se desenhou com as imagens do inferno, é que aconteceu!
A dor, mesmo sem tomar Doril, sumiu, o conflito acabou, o sofrimento desapareceu, o medo fugiu.
As lágrimas de tristeza, solidão e abandono nunca mais contrairam meu rosto em desespero dando lugar às que regaram o solo da minha pele e expandiram meu espírito em êxtase e gratidão.
Por todo o mundo milhares de pessoas estão em franca ascenção no processo de Despertar. É imperativo que seja assim. É o único meio de contrabalançar a crescente onda de negatividade que teima em permanecer na crista.
O inconsciente coletivo é poderoso graças ao seu grande número de participantes e à influência da mídia que cristaliza fatos na mente inconsciente que nem sempre têm a ver com cada de um nós como indivíduos.
A própria mídia é parte fundamental desse inconsciente coletivo. Óbvio, mas não custa ressaltar.
Por isso o título. Quando acordamos para a essência de quem somos, os acontecimentos externos deixam de ter poder sobre as nossas emoções. Conquistamos, em definitivo, a liberdade de escolher as emoções que queremos viver a cada momento sem nos identificarmos com elas. Mesmo que sejam positivas. Caso contrário vamos ser sempre prisioneiros de situações externas e desvinculadas dessa própria essência.